Era uma vez um menino de dez anos chamado Ezra Chatterton. Ele tem os pais separados, e quando ia para a casa do pai(ele morava com a mãe) eles jogavam World of Warcraft (WoW), um jogo multiplayer de rpg online. O problema é que o jogo demanada dinheiro, para ter um computador que rode, uma internet com suporte e a mensalidade do jogo, então eles não jogavam quando estavam cada um em sua casa.
Só que a casa do Ezra pegou fogo, e todos os brinquedos do garoto foram destruídos. Então o pai resolveu comprar um computador, pagar a Internet e o jogo, para que eles pudessem jogar. Desde então, os dois se tornaram muito mais próximos, e adoravam passar horas discutindo os aspectos do jogo.
O único detalhe dessa história é que Ezra tinha um tumor cerebral inoperável. E os diagnósticos não apontavam nada bom. O único desejo desse menino era ir um dia na Blizzard, a empresa que produz o Wow, e conhecer a área de design. A Blizzard, sabendo da história dele, se uniu à Make a Wish Foundation e levaram o Ezra para passar um dia inteiro na empresa.
Lá, ele criou uma arminha para o jogo, um personagem novo e uma missão, que consistia em achar um cachorrinho, e foi inspirado no cachorro do garoto. Além disso, ele gravou a voz do novo personagem que criou. Além disso, a Blizzard deu ao personagem dele o level máximo e armadura rara, alémd e uma habilidade única temporária, para que ele pudesse testar na nova expansão. No final do dia, o garoto estava incompreensivelmente cansado, mas com um ótimo humor.
Um ano e meio depois, o Ezra acabou falecendo. E tipos, ouvi neguinho dizendo sabe o que? Que a Blizzard tava fazendo Marketing. Que se eles se importassem mesmo com fazer caridade, eles que dessem dinheiro pra África. Fiquei passada.
Sério MESMO que tem gente que pensa que para você ajudar alguém tem que necessariamente ser da África? Tem que ser doando dinheiro? Eu imagino que o que esse menino ganhou vale muito mais do que dinheiro pra ele. Imagino que, todos os dias da vida dele, ele falou e pensou sobre o dia que ele realizou o maior sonho dele. E ele foi a pessoa mais feliz do mundo naquele dia, não porque ele ganhou uma armadura rara, mas porque ele teve a oportunidade de conhecer aquele lugar que ele tanto queria. E que, mesmo que seja apenas marketing da Blizzard, a felicidade do Ezra era pura. Nenhuma campanha publicitária daria retorno mais gratificante.
Essa mentalidade pequena e desconfiada de tudo me deixa triste. As pessoas não podem apenas ficar feliz porque um garotinho alcançou seu sonho. Precisam sujar tudo com mesquinharia que não vão levar a lugar nenhum. Mas, enquanto tiverem pessoas que façam apenas um desejo de uma criança, talvez o futuro não seja tão feio.

Ezra e seu pai
A história completa, e mais detalhada você acha aqui.


Imagine – Crescendo com o meu irmão John Lennon, é escrito pela (duh) meia irmã do john, Julia Baird, cuja família foi (quase) totalmente negligenciada pelas biografias sobre ele ou o conjunto. O livro é uma leitura leve, com capítulos pequenos e bem romanceada, diga-se de passagem. Bom para tardes de chuva e (óbvio) para quem gosta do Lennon (meu caso).
The Beatles, pelo Bob Spitz, já é uma leitura mais hardcore (1000 páginas) e é considerada a biografia definitiva da banda. Conta, em minúcias desde a saída do clã Lennon da Escócia até… bem até o final, eu suponho, pois estou na metade do livro. Mas é riquíssimo em detalhes, a ponto de eu já não lembrar quem é quem, de tantos nomes que aparecem.


